Balsa

 

A balsa quando passou a ser usada comumente na construção de aeromodelos, causou verdadeira revolução na atividade. Nenhuma outra madeira (ou material) reúne a resistência em relação ao peso, a facilidade de trabalho(corte, lixamento, etc.) ou a adaptabilidade a usos estruturais da mesma. Hoje em dia dispomos de inúmeros materiais modernos, os chamados "materiais da era espacial" ou "composites", como a fibra de vidro, o kevlar, a fibra de carbono, vários tipos de plásticos, etc., que a substituem em inúmeras aplicações. Mas nenhum deles se aproxima da balsa, na universalidade de sua aplicabilidade ao aeromodelismo. Portando, é sempre vantajoso conhecer um pouco desta madeira nobre (a que muitas vezes se referem como "equatorian gold" - ouro equatoriano), pelo menos em relação ás suas características físicas mais pertinentes ao nosso esporte - tipo de veio (grain) e peso (dureza ou densidade).

A balsa apresenta uma característica interessante em função de sua densidade, ou seja, duas peças com as mesmas dimensões e aparência podem apresentar diferença de peso de até 4 ou 5 vezes entre si, Isto quer dizer, um modelo construído inteiramente de balsa (teoricamente), pode pesar 0,5 Kg (extremamente competitivo) ou 2,5 Kg (voa como um tijolo cansado). Portanto, a seleção da madeira adequada a cada função estrutural é extremamente importante.

Esta seleção, na pratica, ocorre sob dois aspectos; Veio da madeira (em inglês "grain") e Densidade (em inglês expressa em libras por pé cúbico).

Veio - tipos "A" . "B" . "C"

O Veio da chapa de balsa é conseqüência direta do tipo de corte efetuado para extrair os blocos (de onde serão desmembradas as chapas) do tronco da árvore.

Observe na figura abaixo, o corte transversal (seção) de um tronco típico, com veios anulares se espraiando do centro para a periferia (conseqüência do crescimento da arvore). Esses veios anulares são os veios da chapa. Do curte efetuado tangencialmente a estes veios anulares teremos chapas de veio tipo "A": do corte efetuado diretamente da periferia para o centro, teremos o veio "C": e de cortes aleatórios, sem direção definida, teremos o veio "B".

A seguir vamos estudar as caracteristicas de cada um destes tipos de veios:

TIPO "A" ("A grain")

Esta madeira caracteriza-se por apresentar veios (linhas) longas e curver-se com facilidade. Utilize para chapear bordos de ataque revestir asas de isopor e partes arredondadas da fuselagem, blocos de ponta de asa e de topo da fuselagem (geralmente escavados) e para outros lugares que exijam curvaturas ou blocos de grande volume. Não utilize para superficies de comando (estabilizadores, flaps, ailerons), cavernas de fuselagem, nervuras da asa. Podem ser utilizada para longarinas que não sofram grande stress e bordos de ataque e de fuga (desde que chapeadas).

TIPO "B" ("B grain")

Apresenta veios longos e curtos intercalados. É uma configuração média entre o "A" (flexivel) e o "C" (dura). Use para chapeamento de bordos de fuga, nervuras, cavernas, longarinas e bordos de ataque. Tambem deve ser utilizada na construção de fuselagens de vareta (treliçadas) e para a fuselagem de planadores de lançamento manual.

TIPO "C" ("C grain" ou "quarter grain")

Veios bem curtos e manchas lembrando as escamas de peixe. É muito rigido e racha com facilidade, Bem utilizado, permite construção r´gida e leve. Utilize para estabilizadores, asas de chapa maciça (tipo "jedelski" e de planadores de lançamento manual), nervuras, cavernas, etc., onde há necessidade de rigidez.